quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Nossos Sapatos (por algum ponto de vista)

Meus sapatos não foram feitos pra pisar
Nem nesse chão, nem em qualquer piso
Eu só o faço pois preciso
Estar com os pés sobre essa terra
de andarilhos.

Em cada esquina um bar novo
Que antes fosse pra nos renovar
Na quadra de casa lojas abrindo
Os prédios subindo, e eu indo
também para o alto.

Meus sapatos não tem salto
Porque com salto a gente pula menos
e acha mesmo que já tá bom.
As plataformas só estas
as da estação dos meus sonhos.

Da montanha se olha pra baixo
pra entender melhor o chão,
E de baixo se olha pra cima
pra entender melhor o céu.

Por que diacho não tentamos entender
que tudo já nos está pronto
Exceto nós mesmos?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Vento de Hoje

O vento passou essa noite levando embora a minha vontade de dormir...
Como pode um simples vento mudar tudo assim??
Será que meus sentidos estarão aflorados demais, ou seria talvez um exagero acreditar que uma sutil mudança nas circunstância possa agir sobre o meu organismo de forma tão agressiva?

Mais uma vez eu respiro e lembro da Rachel do Friends, quando ela lia aquele livro sobre o vento de dentro das mulheres, o qual os homens sempre roubavam....
"Men steal our wind... don't you ever let them do that! Take your wind back!" hahaha
E essas coisas até que fazem algum sentido nessas horas....
nas horas dos Delirios Incomuns de Uma Mente Sã.

Uma breve pausa aqui no blog pra recuperar o meu fôlego tão bem cuidado e alimentado todos os dias.

Pois bem.
Preciso de muito mais do que alguém me dizendo como as coisas devem ser.
Se existe alguém na minha vida pra decidir as coisas que faço esse alguém sou eu.
Esse eu sai, cresce, ama, ama de verdade, mas precisa mais de mim mesma do que de qualquer outra pessoa.
As pessoas ao redor podem ser maravilhosas, mas o que as define de tal forma mora também no espaço entre elas mesmas.
O que te define, além do que você já tem, é o espaço ao seu redor, é o espaço que você cria.
A defesa de território é importante........ além de outras coisas.

Fico por aqui hoje. Pontuando o final do texto.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pós Festival de Jazz

Cabeça fresca. A xepa das mini-férias ainda sendo aproveitada, enquanto o melhor, entre todos os outros trabalhos aqui, é prolongar as melodias que ainda circulam pelo ouvido.
Minha santa paciência as vezes é dominada pela minha vã euforia, safada ela, só me serve de exaustão. Mas ela vai embora, libertina, atazanar outros espíritos, que quando a conseguem expulsar acaba voltando pros seus anteriores.
Os grandes sábios orientais nos salvam a cada dia, quando terapeuticamente nos fazem lembrar da paz, personagem mito nos tempos de hoje. Pobre rica paz, muito maior e ao mesmo tempo invisível, híbrida, raro objeto de cobiça em extinção. Atingir a paz aqui não é essencial a todos, mas sim uma opção alternativa, um segredinho, ou até mesmo talvez um mero luxo burguês...
Mas eu espero profundamente não me importar com as convenções, e as vezes poder chegar a considerar positivo esse tão comentado stress cotidiano, afim de realizar melhor o meu trabalho.
Deixa vir a calma, deixa vir a loucura, mas sempre de forma pacífica.
Vivamos plenamente o vendaval....

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Desapego

O desapego se deve a matéria, e se deve a nós mesmos diante da nossa personalidade. Desapego aos defeitos e as virtudes.
Quanto aos que nos amam, estes sim merecem nossa atenção, são os que nos dão força, os que nos carregam para além do que somos. O crescimento funciona em forma de teia, as transformações verdadeiras se dão pelo amor, seja lá de quem pra quem, seja simplesmente algo a que nos permitimos nos rodear.
Obrigada Rilke.

segunda-feira, 15 de março de 2010

A Concha

Seu toque
Seu retoque
Seus detalhes sensíveis me abraçam devagar.

É bom sentir com calma,
pelas linhas a serem degustadas
pelos traços que aos poucos podem ser vistos.

Meu coração bate no mesmo ritmo
Que minha respiração
Que o pulsar das minhas veias.

Enquanto conquista a minha pele
Eu adormeço como quando criança
E o mundo fica distante.

De longe,
Posso sentir o vento da praia trazendo seu carinho
Faz muito bem saber de ti.

Tranquila fecho os olhos
e encontro esse caminho que me protege
E foi você quem me trouxe até aqui.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tempo Permanentemente Imprevisível

Brincar de ilusão é muito bom.
Parece um jogo entre nuvens,
mas quando se chega perto demais não se vê, não se toca, não se sente.

Brincar de realizar passa longe (ou bem mais perto).
-Quando se vive num mundo de ilusões, pra que serve o palpável
se a realidade está tão próxima de mim como forma de sonho?-

Nas palavras de um sonhador existem estrelas que nunca serão vistas por um cético.
E entre um mundo e outro se vai pulando e pulando sobre degraus destroçados
pela necessidade de distinção.

Todos os níveis de raciocínio as vezes tornam-se uma coisa só,
uma planície
uma pastagem
uma repercussão que de ecos não mais volta a subir e descer
um tempo tranquilo sem agito de mar forte, sem vontade ou força pra agitar o mar.
É muito bom, depois da chuva, ver que o mar que está tranquilo.

No meu sono, a noitinha,
sonho com outra vida quando dou conta desta numa boa.
Mas vejo, posso ver, ao abrir os olhos
como os assuntos aqui me puxam muito mais
E como é tão melhor acordar do que ir dormir!

Meu tempo bom é meu.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Eis o Sol

Quero repousar o velho sobre a folha
para que o novo continue vindo
atravessando e suprindo
sem nem que eu o note as vezes
de tão constantemente forte,
presente ou ausente, extasiante e de choque extremo.
Cada choque uma renovação das células
choque por choque também é válido.
E sem medo de nada
levo e trago busco e largo
qualquer coisa minha ou sua.
Tudo agarro quando solto,
se fico é porque vou, se fui é porque volto.
Transparente é a minha opacidade no meu tocar em frente
O meu encontro comigo mesma
é minha leveza tão felicidade
que a tristeza, na realidade,
de vez em quando passa sem impressionar.

Nem tudo me serve pra preencher o que faltou
Mas como sei que o que vem é muito bom,
abri o pote sem receio nem qualquer sintoma de surpresa ruim
Pois a galeria passa batida,
tudo corre fluentemente
toda força agora é pra vida,
qualquer queda é só levantar
qualquer porrada é só levar (ou dar)
Guardando cicatriz na caixinha,
Que é a mesma caixinha que guarda as surpresas...
Que é a mesma que libera o vento que sopra na sua direção.
É aquela caixinha que quando se abre
sai um raio de sol.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Receita diária ou Comprimidos de Waly Salomão


Pra falar das palavras que moram em mim, e que cada dia mais surgem com disposta fluência, venho contar um pouco dos meus dias.

Cada momento de linguagem deve ser único ao seu presente. Tudo no presente é único, desde os detalhes até sua forma magistral.
No meu meio artístico aprendo que a certeza de que se está fazendo um trabalho certo é quando os ouvidos ao redor estão atentos as minhas palavras ou aos meus sinais, que vem até mim através de uma busca infinita e diária.
Busco a cada minuto enriquecer meu vocabulário, pois a capacidade de estabelecer uma comunicação artística vem além dos estudos, é como se as palavras virassem vento ou riscos de poeira, como se elas um dia possam ser dizimadas por uma transcendência que as usa apenas como ferramenta de transporte.
Busco comunicação, mas não a nível social. Busco uma troca que já estou tendo, que é a troca de sentidos, e de sinais, imagéticos ou apenas representativos.
Um grande artista, o "pequeno grão de areia-poeta", Waly Salomão, em sua trajetória que passa agora por minhas mãos, me ensina a manipular as palavras e brincar com elas em numerosas quantidades de expressões, rimas, letras, versos, textos infindos de devaneios e sobressaltos da realidade. É muito bom escalar em alguém como ele. Toda a minha mistura com ele agora flui, assim como sei que virá depois dele outro pra me acompanhar, me maestrar pelo andar dos dias.

Tudo hoje praticamente já foi criado, e é pensando despretenciosamente que digo: basta a mistura para que a mensagem seja dada. Um código apenas não basta mais ao homem contemporâneo. Agora os sabores são de uma miscelânea de origens, de fragmentos, ilusões, sonhos misturados em realidades como clara em neve.

O Agora é alquímico, transmutável, flexível, e expostamente acessível.



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ensaio sobre Sexo

Hiper-sensibilidade
na Nudez
Aspereza
nos Recônditos.
Na fisionomia um
.....................ciclo
...........................vicioso
...................................entre o

...................SORVEDOR E O DARDEJANTE

Ex Passos

Espaços
Meus ex-passos
Combustão de poeira dentro do vazio da rua..
Qualquer coisa pode se transformar em ausências oxigenais
desmateriaizações de ilusões.
Um processo fragmetativo da luz, na velocidade de um projétil de jato,
com a firmeza da teoria impositiva
com a frieza do vento que passa por passar
Cada roda de movimnto sendo diferenciada insubstanciada desacomodada
Insuficiente.
Cada roda de vento rodopiante me arranca do semblante uma expressão
passada ultrapassada não mais utilizada.

Meus dedos que servem para riscar
Riscam apenas o ar.
Desmorro desacreditando do deslumbramento
E no firmamento do meu ser corporal
acredito ser mais normal
Não encontrar à frente o que já está para trás.