quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Espaço Tempo

Milhões de pessoas indo e vindo, circulando por toda parte, migrando de pontos opostos inversamente direcionados. Milhões de boas intenções sendo trocadas, grandes sonhos em projetos; todo um futuro que nos acontece o tempo todo é anualmente enfatizado, e são fortes as aspirações. Milhões de ideais sendo carregados, uns com espírito de final de ano, outros nem tanto. Alguns ideais sendo incisivamente mirados rumo aos meses que os dissipam, os transformam, os realizam. Alguns outros ideais guardados numa caixinha secreta.

Afinal, onde poderiamos estar todos nós nesse reveillon para 2010?
Em qualquer lugar em nossas mentes.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Pontualmente

Eu hoje sou a areia e agua salgada do mar em que nado, ou que nada em mim. Sou a praia onde cresci e sou a cama no quarto onde fui criada. Ou que foi criado em mim.
Estou na tomada, eletricamente me recarregando a alma.
Posso sentir nesse agora, como nunca, o enorme peso do meu corpo sobre o colchão, e também o peso do amor que sinto por tudo e todos que estão aqui perto, ou lá longe.
A paz reina flutuante e circunda minha aura desapegada.

Partirei daqui, como que pela primeira vez, sentindo aquela impressão de que já sei como se faz, e contente pelo que me atravessará no caminho próximo.
Re-habilmente me ponho a saber do que sempre soube. Retiro as etiquetas dos valores antigos pra por novas e em branco. Estou em branco, e assim pretendo permanecer, pois aqui quem pinta sou eu. As pontas dos meus dedos tocarão o meu futuro, que vem com clareza e se apresenta ao seu presente, e para o passado vai naturalmente, para lá ficar; como sei que ficarei sendo eu na cama que me é, ou eu no mar que me nada, ou eu nas ondas do fluxo da corrente.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Eu Que Sou Eu

Eu que sou eu
Que sou.
Existo pedaços
Que vou.
Constisto estilhaços
Quebrou.
Me faço e desfaço
Me dou.

Eu que sou eu
Que fui.
Andando em minhas teias
Cadeias.
De mim o "se"
Me instrui.
A se descontruir
Me influi.
(De mim a correr
O eu flui.)

Eu que sou eu
Que vá.
Corando outras veias
Pra lá.
Pr'além de minha alma
Será
Pra por tudo em calma
Será.

domingo, 1 de novembro de 2009

Quero de ti um beijo de mar
Quero mais um abraço de mel
Tornando a entornar sobre mim
Excessos e mais excessos de uma vontade
que parece sem ter fim.

Que sede é essa que dá durante a chuva?
Que sabor é esse de água que eu não sei?
E que tantos conflitos secos e molhados
Vão e vem como tais ondas
Do mar dos seus beijos?

Seus beijos salgados me dão sede
Enquanto eu busco o doce e o cítrico
E quando posso unir todos os sabores
É como se unisse também todas as palavras
que faltam ou sobram...

Serias capaz de compreender assiduamente
O que tenho a te dizer?
Ou quem sabe talvez, nunca se tornará suficiente
Qualquer diálogo ou mistura ou genialidade
diante de tudo aquilo que somos e podemos ser
poderosamente juntos ou separados....

E sem mais temas complicados
Ou nem mais sequer intenções aceleradas
Desligo-me desde motor fora de meu controle
E parto para o meu lugar principal;
Aquele em que combinei comigo mesma de estar
Se por acaso eu me perdesse.

Venho aqui então, tímida, quieta
Sem saber o que dizer
Pois talvez, de fato
Aquilo que não se diz
É o que há de mais importante.

(Daí uma frase de Heráclito: "Todo o contrário é útil, e é do conflito que nasce a mais bela harmonia")

Numa sala de Museu

Entre um chão de flores taxadas
E um teto em relevo engessado
Transmuto-me enquanto vivo
Presente, futuro, passado.

O piano de que a cauda roubada
Se escuta na música o tom
De um cheiro guardado e lacrado
Dentro dos pretéritos desse chão.

Nessa casa antiga de molduras
Histórias encrustadas de amor
Grandes gênios por aqui passaram
Grandes tempos impressos em óleo;
Enxergo-me como eco
Que logo será projeção de um eco.

Sou uma das impressões
Aqui expostas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Turbilhão Hiperbólico

Arranca-me de meu peito
meus anseios
Procura-me por lugares
que eu não sei
Me leva pra viajar em você
Carrega-me de meus laços desatados.

Desmonta-me com sua fúria
de saber
Persegue-me sem que
eu possa perceber
Te sigo por seus caminhos
mal pensados
Te desejo, amor,
Em todos os seus cantos.

Toca-me, atravessa-me
captando meu sangue
Separa-me de mim mesma
sem querer
Aprofunda-me em teus sonhos
sem podermos
Retornar a qualquer a qualquer princípio
a qualquer espera.

Aqui não existe o tempo.
Ao nosso redor só há noção.
Noção, meu amor, da loucura.

Enlouquecidos nos invertemos
E desinvertidos nos trocamos.

Sigo

Pego as malas, levo o violão
Recolho as tralhas, as malhas
Guardo os sorrisos num lugar secreto.

Se deixo rastros
Deixo meu cheiro, minha saudade
Deixo pra ver do que a verdade é capaz.

Sigo pela estrada, pelas pessoas
Sigo por além das fronteiras
Pego o Sol no horizonte.

O asfalto é minha pele
As planícies são meu chão
Numa constante que faz seguir.

Sigo então.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Uma Volta ao Mundo

I
Na velocidade em que me projeto
Quebrando camadas de vento
Respirando o ar que me aparece
Digo enfim, nada mais me entristece.

Toco com as mãos a realidade
Minha lucidez brilha como pérolas
Minha pressa fica pra trás
E que venham a mim os bons tempos.

II
Uma certa vez fui surpreendida
Por pequenos pedaços seus
Que eram a paz anunciando
A tua leve chegada, em silêncio.

Nossos diálogos são como folhas
Se misturando em redemoínhos
Nosso ar é o mesmo,
Nossos deuses são os mesmos.

Nós, entre o chão molhado
Aqui, entre o chuvisco da noite
Somos os traços intrínsecos
Provando que a natureza nos fez.

Provamos um ao outro
Como garfadas de suspiros
Amendoando nossos espíritos,
E não precisarei de nada mais....

Existo para você como o ar
Não pode deixar de existir pro mundo
E seguirei respirando tudo isso
Enquanto senhora de mim mesma.

Eu vou cantar uma nota
Vou piar uma canção
E voaremos rumo ao tudo
Ao som dos espaços pr'além de nós.

Nos meus olhos você se verá
Pois nos meus olhos você me tem
E se já temos tudo isso
Eu agora, simples, sorrio.

É quando sinto minha real existência
Meu conflito, minha dor, meu eu
E sem eu nada sentir, desce uma lágrima
E ela sorri pra mim, e ela ama.

domingo, 9 de agosto de 2009

Amor inventado, não mais desinventável, de escrita permanente.

(Na Lua Cheia)

Minha vida inteira se resume agora
Meu amor total está acumulado
E é nesta noite de Lua cheia
Que venho até mim rasgar-me o peito.

Me deito sonhando na madrugada de estrelas
Voando tão alto, sem ver o chão
E lá de cima ouvindo a tua voz
Releio os livros que escrevi sem razão.

Procuro uma solução razoável
Para me achar mais estável
Dentro deste mundo que passa por aqui
Me confortando com uma paixão aguda.

Nada muda, e você me vem como agulhas
Minha assência está sendo tocada
Por milhares e milhares de reclames
Condensando-me de forma desenfreada.

Tento gritar por socorro
Mas você já me tem perto demais
Tento fugir do você que há dentro de mim
Mas suas maravilhas já conquistaram minhas veias.

É agora, aqui, que meu vício declara:
Vim pra ficar, daqui não me mudo
E o ciclo entre nós não pára,
..E a noite sobre nós estaciona.

Meus rodeios me fazem enxergar que estou cega
Cega por instantes ofuscados
Seus faróis me atingem pela rua
E meus nós, aos poucos desatados.

Ter você é como ter a mim
No meu denso e unificado ser
E sob a glória da luz da Lua
Subo em vôo íngreme, até desparecer.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Solista, Andorinha


Ah, minha felicidade andorinha
Voa, voa em liberdade
Pensamentos meus idéias minhas
Circundam-me em velocidade.

Tudo corre sem imaginar...

Meu tempo meu pára e chora
Pelo tempo que vai embora.
E vem então as asas de passarinho
Pra mostrar o meu caminho.

Choro, choro, como desabafo palavras
Saem de mim mil vozes
Dizendo ao silêncio que se cale
Dizendo ao meu mundo que fale.

Meu medo aqui grita!
Me irritam os pessimistas
Pois beleza se encontra em tudo
Até nas linhas tristes do céu..
Meu peito frágil a este mundo cru
Segura-se firme à turbulência
Tanto no ar quanto em terra
Minha coragem me traz paciência.

Quero meu selo colado e lacrado
Quero minha festa interna
Minha paz que me carrega em suas costas
E o meu solo já preparado.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Meu reflexo desértico

Meu pequeno aconchego,
És meu mais precioso consolo
No momento quando chego próxima a mim
E me toco com a ponta da caneta.

És meu reflexo isso que mostras
E és também quem me põe a dormir
Me desejando os meus bons sonhos que os tenho,
agradecendo pelo dia que virá.

E venho a mim bem perto
Depois de andar horas no deserto
E me conto do que vi
E digo a mim, que a mim avistei..

Quando Veríssimo disser:
"Conheça-te a ti mesmo
mas sem te tornar íntimo"
Creio eu, intrigada
que talvez ele tenha cometido um engano.
_Ou será que sou eu?

Vou-me então, para longe de mim
Aonde terei aos poucos uma nova aproximação
Percorrerei até meus limites
E sei, sim. Estes são poucos.
Se é da terra que vivemos, logo da terra somos.

Quando eu envelhecer vou querer cuidar da terra,
plantar árvores, fazer crescer um pomar, de preferência na cidade em que cresci, como um ciclo a ser cumprido...
Vim daqui, viemos todos de um lugar só, somos todos do mesmo, da Terra. E eu agradeço todos os dias por isso, e por saber disso.

Depois que o mundo tiver me dado tudo aquilo que eu quero, darei a ele o que ele precisa.

domingo, 28 de junho de 2009

Fotos by Dustin Humphrey











Pensamento, Bola e Papel

Sobre este papel calado,
Diante desta muda branquidão
As sombras de minha mão me dizem o que pensar
Para que elas possam escrever.

A ordem vem de cima
de baixo e de todos os lados ao redor
O comando me rodeia envolvente:
Tão grandioso e complexo quanto eu.

De rígido ele vai a maleável
De maleável ele vai a cíclico-circunscrito
E de tantas voltas e voltas torna-se estático
como uma bola de golfe após a inércia.
A bola voa junto ao meu pensamento
Redondo e branco como a bola e o papel
E todos nós indo atrás de nós mesmos
Buscamos por nós mesmos.
E quem sabe poder encontrar
Novos campos verdes
Novos papéis e canetas
Novas seções de idéias.

sábado, 27 de junho de 2009

Espaço preenchido.

Os que vemos na nossa frente, pedaços concretos de matéria, não passa de vazio. Todo corpo, seguindo por seu princípio microscópico da estrutura atômica, possui muito mais espaços vazios do que matéria...
Se formos ampliar o tamanho de um átomo e compará-lo com um estádio de futebol como o Maracanã, por exemplo, teriamos a sua composição (protons, eletrons, neutrons, núcleo) do tamanho de um bolinha de sinuca, cada. O restante do espaço é preenchido com puro vazio. A nossa visão vê a matéria diante de nós como algo concreto de acordo com o agitamento das particulas, que causam a nós essa realidade tão visível, junto com a incidência das cores gerando caraterísticas tão particuares a cada objeto.
Nós, objetos pensantes, temos a mesma cor todos nós, porém somos muito particulares a nossa maneira. A nossa composição material está de acordo com a nossa formação, tanto genética quanto psicológica... E toda essa pequena parte do que somos por carne também é rodeada de vazio, vazio este que nos faz senti-lo, e às vezes é até maior que muitas outras coisas que nos rodeiam. Porém o medo pelo vazio é algo que não se deve ter, uma vez que ele está em toda parte. Aprovo a tentaiva de preenchê-lo diariamente.
Toda dor, assim como toda alegria é muito mais física do que imaginamos. É aquilo que não vemos, mas que está lá no nosso corpo, formando e e separando reações, algumas destas que carregamos ou deixamos acumular..
As sensações abstratas nos remetem a uma espécie de mistério, nos fazem percorrer por um caminho em sua estréia, sendo o abstracionismo só mais uma forma de ver a realidade nua na nossa frente. Como num quadro: as imagens podem nos ser de várias formas, assim como o que sentimos ao que nos deparamos com tudo isso.

domingo, 21 de junho de 2009

Aquilo Que Nunca Deveria Ter Sido Nomeado (mas precisava-se)

Essa palavra criada de dita
Evoca uma densa saudade
Uma causa de falta
Uma busca pelo através
essa palavra Amor.

Escalam, sobem, caem
Anseios por um além do visível
Desejando o inteligível
Nesse labirinto que é
a nossa palavra Amor.

Certa vez encontrado, mas não dito
Como mito,
Como medo de perder-se
O amor se vê forte e fraco
Longo, curto, triste.

Neste momento em que
O amor está achado
Põe-se tudo a perder
Os pesos se medem enquanto flutuam....
Tudo voa
Tudo goza
Tudo é nada.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Olhando pro céu

Eu sob um céu
Insistentemente azul
Escutando breves sons
de pássaros convictos
Decido renunciar de meus pensamentos
entrando em profundo estado contemplativo.

O silêncio da minha mente
é tanto
E sua resistência
é pouca
quando quebrada pelos luminosos raios de luz
e o barulho das folhas no vento...

Crio assim um laço
Cíclico e eterno
Entre mim
E a vida externa.

No Ônibus

Adoro passar pelo viaduto
E ver aqueles prédios amarelos de Botafogo,
Que quando a tarde refletem ao Sol
fazem constraste com um céu azul.

Adoro tirar fotos com a mente
dentro desse ônibus ligeiro
passando pelos lugares mais bonitos..
Que acabo por levar um pouco comigo.

De tudo, um pouco levo comigo,
guardando no meu porta-treco
as lembranças mais delicadas
De minha vida tão fugaz....

Leões Vermelhos


Numa noite de outono
tudo acontece na parte de fora
Toda cidade borbulha
Toda a parte que não é de mim
Permanece insone, instável.

Minha insônia híbrida é vazia.
Minha mente está branca
como uma luz acesa por alguém
que levou embora
o botão pra desligar.....

Sem vento, nem movimento
Nem sentimento nem vontade
Aquela neutralidade que me pertence
Aquela frieza que me gela a espinha
Aquela saudade do que eu não tinha.

Bem estar, aonde estou
Livre dos pensamentos
apenas vendo, ouvindo, sentindo.
Meu bicho está aqui, minha fera
Sentada aqui, dentro de mim.
Minha paixão corre e povoa meu sangue
vermelho, vermelho

As tinturas vão se espalhando
Meus olhos se fecham
e tudo fica preto.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Toda a Certeza Virá

I
Se estou no oceano
Quero alcançar o céu
Se me ponho a flutuar de véu
Desejo um momento profano.

Procuro a oposição
Da oposição de meu auto-julgamento
E evidente é o momento
De minha estranha contradição.

Quem me estranha já sente.
E eu existindo aqui dentro
Não tenho o menor intento (e não me contento)
Em não dizer o que tenho em mente.

Não digo porque não sei
Minha linguagem ainda está guardada
E durante essa noite, inspirada
Atravesso por minhas camadas que criei.

Não consigo eu chegra até mim
Quem demais conseguirá?
Calo pois, pondo-me a calar
E toda certeza virá, enfim.


III
Brincando eu aqui de existir
Regradamente inspirando
Gradativamente expirando
Eu, aqui aspirante ao sorrir.

Se talvez eu pudesse saber
Como é ser de outra forma
Não escolheria entre mim e a outra
Mas sim fugiria para os braços do mistério.